sábado, 3 de outubro de 2009

Tom Zé nu & cru


Uma reportagem, em quatro atos, sobre o imprevisível baiano de Irará, que vai lançar CD, um DVD e terá um especial na televisão

texto Marcelo Pinheiro fotos Luiza Sigulem

O mês de agosto, aquele do desgosto, no imaginário popular, abriu sua temporada 2009, em São Paulo, desafiando o poder desta bobagem supersticiosa. Nos palcos do Teatro Fecap, o baiano Tom Zé, com sua irreverência e a incrível capacidade de estimular a plateia, armar jogos, instigar e dar asas à imaginação, passou a limpo quase quatro décadas de carreira. O balanço final de tal empreitada, jamais iria combinar com algo amargo como o desgosto. Foram quatro shows, dirigidos por Charles Gavin e Oscar Rodrigues Alves, que ganharão registro em novo CD a ser lançado pela Biscoito Fino e um DVD que será veiculado como especial pelo Canal Brasil, ambos intitulados Retrospectiva - Espinha Dorsal da Carreira e com lançamento e estreia na grade do canal previstos para novembro. Gavin, que tem feito o papel de um verdadeiro titã na defesa da memória da música brasileira ao resgatar do total ostracismo a obra de gente da estatura de Tom Zé, como Sérgio Sampaio, Gerson Combo, Os Cobras, União Black, Quinteto Ternura e um sem-fim de artistas, reiterou em nota à imprensa, a importância do projeto: "Tom Zé fará uma retrospectiva de sua obra, algo que raramente fez em sua carreira. Tocará, com sua banda, canções de álbuns importantíssimos, como Grande liquidação (1968), Se o caso é chorar (1972), Todos os olhos (1973), também o superclássico Estudando o samba (1975) e canções de seu trabalho mais recente Estudando a bossa (2008)". A efeméride, de fato, merece celebrações e, a despeito de algumas complicações de agenda, pois a notícia chega nos tumultuados dias de retorno de férias, encontramos Tom para uma deliciosa manhã de boas conversas e situações imprevistas.

1º ATO Juca Chaves dos pobres
Tom Zé é um desses raros sujeitos que desenvolvem, ao longo da vida, uma apurada capacidade de criar raízes e estabelecer amplos vínculos com as coisas que o cerca. Mora na mesma rua do bairro das Perdizes, em São Paulo, há mais de três décadas, tempo em que sempre esteve ao lado da valente e serena companheira Neusa, que, talvez, rendida pela impossibilidade de não se envolver com o jogo lúdico e instigante do marido, sempre o apoiou, incondicionalmente, e foi determinante em ajudar a construir essa figura mítica que é Tom. Ele nos recebe ofertando cadeiras, pede para ficarmos à vontade, vai até a janela, observa o dia, e aponta para a enorme fachada do prédio em frente, onde cuida voluntariamente de um belo jardim, que surge pleno, a coisa de 15 m abaixo de nossos olhos. Comenta que chegou ao bairro, quando viveu naquele mesmo prédio em frente, a partir de em 1973, depois de alguns anos de convívio com Neusa, na avenida Angélica que, segundo cantou em "Augusta, Angélica e Consolação", cheirava a consultório médico. O frio desta manhã é bastante rigoroso e ele recorda que, no começo dos anos 1950, o prédio fora construído de frente para a rota diária do sol, justamente para aproveitá-lo ao máximo, pois São Paulo, regularmente, era metade do ano muito fria. Tom observa que as condições climáticas da cidade mudaram consideravelmente, e lembra que lidar com um sol que já ardia intenso na janela, às seis da manhã e partia só às oito da noite, passou a ser algo insuportável. Foi a deixa para atravessar para o outro lado da rua.

É evidente que a São Paulo cantada por ele mudou em muitos outros aspectos, mas é possível suspeitar que Tom aprendeu a amá-la com todas suas grandes contradições, dilemas e complexidades, pois, desde sempre, atentou-se em interpretá-la e redimir-se em gestos e canções como a hilária "A briga do Edifício Itália e do Hilton Hotel". Mesmo a duras penas, como quando viveu quase duas décadas de completo ostracismo, ele não hesitou em inserir-se profundamente na metrópole que o recebeu cheio de possibilidades, e ajudou a moldar sua incrível personagem. Defende a rua Santa Ifigênia, zona comercial popular de componentes eletrônicos, informática e instrumentos musicais, no coração de São Paulo, como um lugar sagrado. Símbolo da capacidade do brasileiro em driblar adversidades e ponto fundamental para viabilizar a criação de seus instrumentos, como o enceroscópio, feito à base de escovas mecânicas de enceradeiras e as frequentes compras de componentes, muitas vezes, solicitados com surpresa nos balcões das lojas: "Mas para que o senhor quer isso? Isso é peça de torre de transmissão de televisão!". À propósito de São Paulo, resgato assunto que é comentado por ele em um texto intitulado Aniversário de São Paulo e Tom nos remonta o saboroso episódio, vivido com Gal Costa, em 1965, ocasião em que veio à cidade para integrar o espetáculo Arena Canta Bahia, de Augusto Boal, acompanhado dos amigos Gal, Bethânia, Gil e Caetano: "Gal e eu, a gente tinha um namoro meio atrapalhado. O dia que ela me chamava pra sair era uma festa, porque eu não tinha direito de chamá-la pra sair. Ela disse: 'Tom, vamos fazer umas compras na cidade?'. Ela vestia uma calça comprida de casimira, daquelas calças de filme de Hollywood dos anos 1940, e eu estou com Gal na rua e todo mundo bolindo com Gal, aí eu falei: 'Pô, sou um homem de merda, mesmo, não é? Já sou acanhado pra diabo, aí tô com a moça aqui, e todo mundo bole com a moça?'. Gal não era conhecida, não era nem Gal Costa, ainda, era Gracinha. Depois de muito sofrimento, uma senhora teve a caridade de chamar a gente no fundo de uma loja e falar: 'Minha filha, moça direita não sai de calça comprida em São Paulo. Quem sai de calça comprida em São Paulo é prostituta!'. Aí a gente compreendeu tudo."

A história descontrai e o lado satírico de Tom, aos poucos, vai se aquecendo e começando a soltar faíscas. Já em 1958, ele deu amostras de uma deliciosa irreverência, em sua primeira aparição na televisão. No programa Escada para o Sucesso, horário nobre da TV Itapoã, em Salvador, Tom entra e defende uma de suas primeiras canções, debochadamente, intitulada "Rampa para o fracasso". Ao lado do amigo Capinam, ele compunha pequenos temas de protesto para o CPC - Centro Popular de Cultura - em Salvador e, por esse mesmo deboche, era chamado "Juca Chaves dos pobres", nas páginas do jornal Diário de Notícias. Polêmico e sagaz, foi um importante colaborador e teórico da Tropicália, movimento liderado pelos amigos Caetano Veloso e Gilberto Gil que, por um breve período, pôs de pernas pro ar as convenções musicais, políticas e comportamentais de um país que vivia a grande contradição de estar de portas abertas para um novo mundo, de apelos urgentes, sob a vigília ostensiva de militares no poder e a barra pesadíssima do Ato Inconstitucional no 5. Apesar de exercer no grupo um papel dos mais influentes no campo da teoria musical, graças aos mais de sete anos que estudou com os maestros H.J. Koellreutter e Ernst Widmer, ícones da revolução radical proposta pelo reitor Edgar Santos na Universidade Federal da Bahia, naqueles primeiros dias da década de 1960, Tom diz não ver muita afinidade nas coisas que fazia com as coisas produzidas por Caetano e Gil. Valia-se de ferramentas que aprendeu a manipular, desde a infância em Irará, quando lidou com preconceitos e total ausência de empatia com sua música, desafio que o fez criar saídas para a inviabilidade imposta pelos outros: "Deixe-me ver se lhe dou uma ideia do que aconteceu no começo. Eu procurava alguma coisa pra me segurar no mundo, esse é o motor primeiro, é o ponto de partida, e música não era assim uma coisa que estava muito evidente, não tinha nada daquilo de dizer: 'Aos oito anos de idade mostrou, logo, sua vocação!'. Era o caso de dizer: 'Aos oito anos de idade mostrou que não tinha a menor vocação para a música'. Eu fazia um tipo de música em Irará, que era o seguinte: eu ia falar do seu trabalho, da roupa que você está vestindo, da maneira que você se pinta, dos objetos que você usa, de forma que você se sentisse, imediatamente, identificado, como um personagem dentro da música e incapaz de ver que eu não era cantor. Como se eu enganasse você. Minhas músicas eram pra impedir o ouvinte de descobrir que eu não era cantor. Comecei a fazer música que, imediatamente, você começava a pensar. Quando eu falava: 'Guilherme se requebra', você já tava: 'Isso, eu sei o que é isso!' Você já era personagem da canção".

Éverton, o pai de Tom, parece ter carregado nos genes a mesma sorte do filho em ter a vida transformada pela força do acaso. Corria a década de 1920 e Éverton detinha o espólio de seu pai, que, seguindo a tradição do sertão baiano, havia sido enterrado dentro de um pote que continha as libras esterlinas que somavam toda a herança. Caçula de uma família vitimada por vários problemas de saúde, sem nenhum irmão, os primeiros a pleitearem a divisão foram primos de segundo e terceiro graus. Cansado de lidar com tanta gente que aparecia para defender parentesco e direito às libras, Éverton decidiu convocar todos os pretendentes, em local neutro, para por um final à questão da partilha. Saiu de lá com uma quantia ridícula, mas já na rua encontra um vendedor de bilhetes da loteria federal que insiste na venda da centena 0459 e, batata - cententa 0459 na cabeça! Da noite para o dia, da condição de grandes privações, torna-se renomado comerciante e emerge na sociedade de Irará, ingressando na família Santana, das mais tradicionais e com vários membros simpatizantes do comunismo.

Sobrinho de Fernando Santana, líder da UNE, e futuro secretário geral do Partido Comunista, em Salvador, Tom vivia cercado de informações e visões conflitantes de mundo. Observando os processos cultos dos tios e a linguagem do povo que circulava pela loja de tecidos do pai, em Irará, foi se tornando um poliglota da vida. Chegou até mesmo a enfrentar o preconceito de pessoas que diziam que "filho de rico" - onde ele bem ressalta: "Em Irará não tinha rico, tinha pobre remediado" -, não podia estudar música, que isso era coisa de pobre. Sem nunca aderir ao Partido Comunista, mas influenciado pelo tio, ele vai estudar em Salvador e integra o CPC, de forte apelo jovem, ao lado do amigo e poeta José Carlos Capinam, onde dirige o núcleo musical. Em paralelo, dedica-se aos estudos na UFB, que resultam em seu ingresso, anos mais tarde, ao corpo docente da universidade: "Quando a gente era mais novo, não tinha como não ser esquerdista, mas eu nunca fui do partido e não acho que o partido seja indigno. Não fui ao partido, pois não tive vontade de ir, mas devo dizer que quando fui diretor de música do CPC, fui graças a Nemésio Salles, que tinha sido secretário geral do partido, e que, quando tive um desentendimento na casa de meu tio e ia voltar para Irará, me fez ficar em Salvador. Devo o fato de estar aqui, hoje, a Nemésio Salles, que me deu condições de ficar. Era o Partido Comunista, o velho partidão, que me pagava. Tenho esse débito com ele! Eu era diretor de música do CPC e com esses trinta cruzeiros por mês eu pagava minha parte no apartamento do próprio Nemésio, dividido por ele, eu, José Alberto Bandeira, que era o então secretário geral, e o cineasta Geraldo Fidélis Sarno. Éramos os habitantes desse apartamento, que foi o primeiro lugar invadido na hora que estourou o golpe de 1964".

Embora defenda essa postura apolítica e apartidária, Tom é um cidadão de plenas convicções políticas e posiciona-se, sem ressalvas, quando defende seu ponto de vista. Ao enveredarmos por essas questões ideológicas que cerceavam o dia a dia de jovens com dedicado grau de participação como ele, relembra uma reles capa de revista do perío-do e põe-se a discorrer um assunto que vai desembocar na crônica política dos dias de hoje: "Lembro da capa de uma daquela Revista Civilização Brasileira. Um homem com um peixe sendo fisgado, uma reportagem sobre a pesca artesanal. Ora, naquela época, o próprio censo dizia que a população iria dobrar e que a capacidade produtiva de alimentos precisava dobrar, pra não matar metade dessas pes-soas de fome. A capacidade da pesca artesanal, nunca iria chegar perto do que seria necessário, seria preciso desenvolver a pesca industrial e como é que nós vamos defender esse tipo de Brasil bucólico que a esquerda quer, esse tipo de Brasil que não abre as fronteiras pra modernidade, pra poder matar gente de fome! Tinha argumentos como esse que também explicam muito porque o Brasil bucólico, que a esquerda queria, não podia se conformar com o Brasil que, na verdade, Caetano e Gil introduziram na cabeça das pessoas, aquilo que, mesmo sob a égide de uma ditadura, ia levar o Brasil a um salto imediato pra segunda revolução industrial. Nós, toda vida, fomos povo inventor, na hora que o avião ia subir, tivemos uma pessoa lá; a guitarra, que outro dia tava no jornal: 'Morreu o pai da guitarra!' (o guitarrista Les Paul, criador do célebre modelo homônimo de guitarra). Morreu o pai da guitarra, uma porra! Pai da guitarra é Osmar e Dodô, que a fez muito antes na Bahia, e é bom dizer que Santos Dumont só tem o nome dele citado porque a França tem grana, ele era Dumont e estava em Paris, naquele momento, se não, os irmãos Wright seriam os únicos donos da aviação. Era isso que Caetano e Gil, conscientemente, estavam lidando. Ao mesmo tempo, houve a atitude repressiva da ditadura. E o que é que a ditadura quer? Que nossos cérebros se diminuam, ora! Eu era namorado de uma professora e o salário dela foi instituído por João Goulart, três mil cruzeiros! Olhe o que significava isso: que as pessoas de capacidade estavam convidadas a ser professoras, salário nenhum pagava aquilo. Estavam privilegiando o pensamento, o desenvolvimento das crianças. E o que foi que a ditadura fez? O contrário! Degradou os professores. Veja como eles estão, até hoje, servindo ao capitalismo nessa degradação do ensino. Isso é uma das coisas mais terríveis. Por que falta educação? Porque o governo não quer! O próprio governo de esquerda, que está instaurado no Brasil, precisa que o nordeste seja miserável, pra poder lhe dar Bolsa Família, pois se o nordeste deixar de ser miserável ele não vai ter aqueles votos todos. É uma maravilha para o governo que o nordeste seja essa miséria que é. Estão dispostos a todas as providências pra que o nordeste não possa melhorar e eles se eternizem no poder. É isso que está em jogo na hora que alguém mexe com a cultura da nação e foi isso que Caetano e Gil fizeram com consciência, sabendo o que estavam fazendo".
2º ATO Saudades perfumadas
A prisão e exílio de Caetano e Gil, no final de 1968, e o consequente desmanche do grupo tropicalista, foi um difícil período inicial de transição, em que cada um iria seguir seu rumo. Gil, Caetano, Gal e Bethânia teriam carreiras de grande apelo popular, enquanto Tom seguiria renitente em suas crenças, rumando o caminho que gente como Jards Macalé, o guitarrista Lanny Gordin e outros coadjuvantes da aventura tropicalista iriam, amargamente, experimentar - um ostracismo vergonhoso. Pergunto se essa ruptura, de alguma forma, também estabeleceu um rompimento dos velhos laços de amizade que havia entre eles, se ainda se relaciona com eles e se ele acha que no campo artístico, ainda hoje, haveria convergência entre o grupo. Ele, imediatamente, se posiciona para a construção de um argumento conciso e volumoso, sobre suas escolhas e as escolhas dos outros: "Olha, eu vou dizer uma coisa, acho que não tinha nenhuma afinidade. Quando nós nos juntamos e conhecemos as músicas uns dos outros, eles decidiram que eu ia ficar junto deles e fizemos juntos o primeiro show, o segundo, viemos juntos pra cá fazer o tropicalismo e, na volta da Europa, após o exílio, eles decidiram que cada um deveria ir pro seu lado. Na hora que eu entrei, não sabia que seria uma coisa tão grande, que estava me aproximando de gênios, que na verdade os são. Na hora da saída, que eu já sabia disso, fiquei muito triste, até porque era uma perda muito grande de amizade".

Os loucos e tortuosos anos de 1968 a 1973 constituem seu período de vida e morte na tropicália. A despeito da perda de ideais e projetos coletivos, a dissolução do grupo abre os horizontes de Tom. Quando propõe novos e radicais caminhos, a partir do álbum Todos os olhos, de 1973, adota procedimentos e escolhas que resultariam em um intrincado novo mundo, onde descobriria veias abertas para canalizar toda sua prolificidade e capacidade de criação até os dias de hoje, aos 72 anos. Em 1979, Celso Favaretto publicou o livro Tropicália alegoria alegria e sequer mencionou seus álbuns na discografia do movimento, nem mesmo Liquidação total, tido como um dos mais importantes. Pergunto se nestes idos de 1973 ele já desconfiava que estaria fadado a tal esquecimento e ele se cala. Minutos antes, sobre a questão do rompimento de amizades, havia me intimado a ir direto ao assunto. Ele, então, organiza as palavras e coloca um ponto final na questão: "No quinto aniversário do tropicalismo, eu era tropicalista; era parte do grupo, da imprensa, da festa e de tudo. No décimo, como eu estava fora de circulação, comecei a ficar assim, lembrado, apenas. No décimo quinto, eu estava quase fora e no vigésimo eu já tinha desaparecido, completamente. A RCA tem uma compilação de compactos do início de carreira do grupo todo (Eu vim da Bahia), e, já ali, você vê que eu faço algo completamente diferente, eles são 'bossanovistas'. Então já estávamos separados, há muito tempo, mas eu, ao contrário, fiz um pouco de esforço, a partir do momento que comecei a cantar com eles, nos shows na Bahia, no Teatro Vila Velha, em meu primeiro, segundo e terceiro discos. Fiz um esforço muito grande, pra conseguir botar o que eu produzia, que não se chamava de música, no apelo da música popular. Fui no Jornal da Bahia, por acaso, entregar minha última matéria e, quando subi, me disseram: 'Caetano está aí, no terceiro andar'. Cheguei e lhe falei: 'O Caetano, que saudades!'. Aí, nós éramos, realmente, companheiros e amigos, e ele: 'Poxa, cadê você? Eu já te disse que aqui na Bahia você só vai se aborrecer. Em São Paulo, você pode se aborrecer, também, mas pode ser que aconteça alguma coisa'. Eu, como tinha dinheiro, peguei o avião e vim. Neste mesmo dia de minha chegada, ele me apresentou o disco Sgt. Pepper's, dos Beatles, traduzindo música por música, pois ele sabia que eu não entendia porra nenhuma. Na noite do mesmo dia, ele me levou pra ver o Rei da Vela e fiquei convencido de que deveria vir mesmo. As pessoas me diziam: 'Como é que você pode estar envolvido com eles? Eles são artistas, você é um troglodita!'. Aquele tempo foi dos melhores em minha vida".


3º ATO Complexo de épico - rampa para o fracasso
Os anos 1970 viriam confirmar a eleição de certos mitos e meandros massivamente utilizados pelo estatuto firmado pela MPB do período e, à medida que os pares do tropicalismo iam se tornando semideuses deste novo olimpo, herdando muito precocemente o status que o herói de todos, João Gilberto, levou quase uma década para experimentar, Tom vai trilhando o caminho inverso, investindo cada vez mais em experiências de linguagem e produção de instrumentos alternativos, criados a partir de lixo industrial, velhas enceradeiras, mecanismos de batedeira de bolo, de máquinas de lavar e buzinas de automóveis, que foram ganhando resolução musical e tendo sua funcionalidade de ideias testadas em seus próprios álbuns, como em Correio Estação do Brás, de 1978. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em 1993, ele relembra que chegou a vender um imóvel na praia para investir nos instrumentos que inventava e se definiu, na mesma entrevista, como incapaz de estrategiar procedimentos. Apesar de trilhar um caminho que o levaria à obscuridade definitiva, Tom defende com veemência que não houve resistência de mercado, incompreensão ou nada que pudesse ser interpretado como motivo para seu fracasso, nada que não estivesse dentro dele mesmo.

"Quando você não é tocado no Brasil, tem uma coisa de dizer que você é vítima da cultura de massas, como eu não tenho vocação pra vítima, como eu não era tocado, eu fui trabalhar em casa. Eu não era chamado pra trabalhar na rua, não era chamado pra entrevista, não era chamado pra porra nenhuma. Eu ia pra casa trabalhar. Talvez, o que me fez trabalhar durante meu tempo de ostracismo foi que a queixa não era meu lema. Não gosto de fazer queixa e culpo a mim mesmo. Fiz esses instrumentos, em 1978 e, dez anos depois, o Instituto Goethe chamou a imprensa brasileira, as revistas, a Veja, pra ir ver umas bandas americanas que estavam produzindo músicas com instrumentos eletrodomésticos, e era a mesma manchete na Folha de São Paulo, no O Estado de São Paulo. Mas daí, um redator da Veja escreveu, de cunho próprio: 'O Instituto Goethe chamou a gente pra ver umas bandas americanas que usam instrumentos de trabalho ou instrumentos de cozinha e tal. Olha, não tem novidade nenhuma nisso, principalmente, fazendo o que fazia Tom Zé, em 1978, que já era muito melhor. Eu tinha quinze anos, na época em que ele apresentou os instrumentos dele na GV'. João Araújo, pai do cantor Cazuza, por exemplo, queria me ajudar pessoalmente, era diretor da Som Livre e queria me ajudar. Já tinha sido meu produtor e eu sabia que ele tinha uma possibilidade de diálogo. Fui a ele pra mostrar os instrumentos e ele deixou, quis lançar pela Som Livre, quis botar no festival da Esso, aí eu não sabia que a gravadora era quem escolhia um artista para botar no festival. Eu ia ser 'o artista da Som Livre'. Meti as mãos pelas pernas, quando fui ver, não estava mais. Fui convidado pra um festival do Canal 4 e achei que não era pra participar, que era bobagem. Também não fui. Então, ninguém tem culpa de nada, você mesmo se mata, você mesmo é seu próprio algoz".

Dessa condição declarada de autossabotagem, Tom foi mergulhar em um período sombrio, de extrema reclusão e improdutividade, agravada por problemas de saúde. Começa a pautar esses temas, mas, subitamente, passa a narrar a fantástica história de sua ressurreição para o mercado fonográfico e para a própria vida, por meio da descoberta ocasional de seu disco Estudando o samba, de 1975, pelo americano David Byrne, líder dos Talking Heads, um dos pilares do movimento New Wave, surgido na efervescente vanguarda daquela Nova Iorque do primeiro quinquênio dos anos 1970. Sim, a transição do total anonimato para esta figura celebrada em Paris, Nova Iorque, Londres e Berlim, sugere um conto de fadas moderno e, convenhamos, já foi deveras explorada. Tento extrair de Tom algo que não tenha sido tão excessivamente narrado sobre o período, e ele retoma o raciocínio para falar dos dias amargos que precederam sua tardia redenção. "Eu estive sempre muito doente, meu estômago era um órgão de choque naquele tempo. Só fiquei bom, quando comecei a fazer Tai Chi Chuan. Uma coisa milagrosa. Ia lá tomar massagem e tal, uma hora de meia dúzia de movimentos fantásticos pra sua cabeça e seu corpo, mas eu tinha vergonha de ir pra aula de Tai Chi Chuan. Sempre tendo vergonha. Pois bem, o oriente me salvou aqui. Em 1985 eu estava morto. Enganava Neusa. Levantava pra enganar ela, pra dizer que tava vivo. Eu tava morto, não tinha energia nenhuma. Neusa, um dia, falou assim: 'Por que não vamos na macrobiótica?'. Pra quem tá morto, aqui ou na macrobiótica, tanto faz. Chegando lá, o doutor me receitou uma semana de arroz e como eu não podia comer nada antes, pois ficava mal do estômago, o arroz, feito benfeito como a Neusa sabia e sabe fazer, era minha vitamina C. Depois de uns quatro dias, meu intestino voltou a funcionar como não funcionava há muitos anos. Eu não sabia que meu problema era aquele. Eu já estava todo desgraçado, a mão não podia nem pegar em livro porque já estava toda despelando, excesso de ácido úrico. Tudo problema emocional e, comendo errado, vai piorando. Daí que quando comecei a macrobiótica, passados os dez dias de arroz, eu já era outra pessoa. Inclusive teve um negócio engraçado, eu pude ter a experiência do que é uma droga pesada. Porque arroz depois do sexto dia, rapaz! Você pode imaginar, se seu cérebro era de um jeito e você passou quarenta anos absorvendo toxidades maiores, produtos e produtos que começam a circular no sangue e modificam o cérebro, aí você começa a voltar à mesma toxidade que você tinha, quando tinha seis meses, rapaz! Aquilo faz, novamente, conexões neurais, que você não sabia mais, que o cérebro não sabia mais e é aí que você sabe o que é uma droga pesada".

4º ATO Zénial
O título deste 4o ato, e é uma alusão à resenha de Com defeito de fabricação (1998), publicada na cultuada revista francesa Les Inrockuptibles. Tom separa diversas matérias, organizadas em um clipping e exibe páginas do New York Times, Village Voice, das revistas Vibrations e Time Out, onde são celebrados com entusiasmo, novos lançamentos e reedições de sua discografia, seus frequentes shows e a parceria com o grupo Tortoise. Cinco ou seis páginas de jornais e revistas que podem atestar a redenção deste homem de tantas provações que precisou confundir muito para esclarecer e poder trilhar os mesmo degraus que o levariam ao mesmo porto seguro, onde, comodamente, outros estão há décadas. Filho atento da tradição oral do nordeste, Tom é verborrágico e persuasivo. Começa a falar, baixo, pausado, e vai envolvendo o ouvinte em uma teia de argumentos que se amarram e se estendem com uma desenvoltura fascinante. No começo da entrevista, ele próprio avisa que Neusa procura sempre regrá-lo e impõe horários fechados, mas que sempre extrapola o cronômetro da mulher, que fala compulsivamente e desnorteia os pobres jornalistas que vão conversar com ele, que, muito provavelmente, devem passar horas polindo e tentando extrair algo objetivamente jornalístico do que colhem. Discordo de Tom e, embora me preocupe em concluir o roteiro que havia elaborado, sabia desde o princípio que estaria lidando com um cidadão imprevisível. Que, a qualquer momento, poderia ter meus planos sabotados pela compulsão de Tom, o que não deixa de ser uma tremenda de uma boa expectativa e uma sorte rara, visto que vivemos em um tempo onde tudo é cada vez mais previsível, asséptico e inofensivo. Voltamos a falar da situação atual, dos dilemas e desencontros entre a indústria e o mercado consumidor de música, e concordamos que, se provocados os estímulos, o grande público e aqueles que produzem música com o propósito popular, vão querer, sim, a informação e a experiência do novo. Alguns eventos culturais patrocinados pelos governos de diversas esferas estão aí, precariamente, a validar essa tese. Enveredo pelo assunto à procura de algum comentário de Tom sobre o lamentável episódio ocorrido na Virada Cultural 2009, no Teatro Municipal, no show em que ele revisitou o álbum de estreia Liquidação total, quando ocorre o episódio da menina que, furiosa, com a (des)organização caótica do evento, esbravejou, xingou-o e saiu de costas para o público, dedos médios em riste, logo na abertura do show. Pouco foi falado disso na imprensa nos dias que sucederam o episódio. Lembro de que, por alguns segundos, ele e a banda mergulharam em um silêncio constrangedor e se saíram com uma execução tensa e enérgica de São São Paulo, meu amor, como que a sugerir que tudo aquilo fazia parte de nossas grandes contradições. Peço a ele uma leitura do episódio: "Que bom que você se lembrou disso, o normal seria eu dizer: 'Agora não posso falar disso, que o público está aqui, estamos no horário, está atrasado e temos que fazer'. Os shows anteriores atrasaram e o nosso também, por consequência. Eu estava preocupado com isso e, ao mesmo tempo, tendo de administrar a situação de abandonar uma pessoa, parecendo que eu estava desprezando a queixa dela. Como é que eu iria parar pra tomar providências com o que estava acontecendo lá fora? Pois foi por isso que eu fiquei parado um pouco, pensando e é engraçado você se lembrar disso, pois a gente teve mesmo um momento parado, não é? A moça, depois, veio me contar esses episódios, que a polícia estava maltratando as pessoas, que pessoas credenciadas não conseguiam entrar".

Dois colegas cinegrafistas nos acompanham na entrevista e um deles não hesita em nos interromper para ilustrar que, dois anos antes, houve o quebra-quebra na praça da Sé, com o incidente do show dos Racionais Mc's, e nos anos seguintes segregaram o rap para o parque Dom Pedro II. Tom Zé retoma rápido o raciocínio: "É por isso que eu falo que é importante essas festas irem para as periferias, não ficar só aqui no centro. Eu fiz minha primeira Virada Cultural no Anhangabaú e na segunda, me mandaram para um CEU na Zona Leste". E a aceitação? Questiono: "Veja bem, você tem de fazer um certo cálculo. Em qualquer lugar que for tocar sempre será diferente. Você vai ao Municipal e sabe que não vai encontrar em um show desses aquele mesmo ambiente, é diferente, mas lá, é claro, você precisa tomar o curso das coisas com a plateia, recebendo um feedback da capacidade de interesse que a coisa provoca e fiz até um número improvisado, que a gente faz raramente, e foi uma felicidade, como se as portas se abrissem e eles estivessem livres da televisão, da escravatura da televisão, por uma única noite. Não tem um patrão que quer desenvolver nas pessoas a violência, não tem esse patrão no comando".

Reitero o argumento de Tom comentando que, naquele dia horas antes, vi um Teatro Municipal assistir, extasiado, Arrigo Barnabé executar Clara Crocodilo em seus arranjos originais. Convenhamos que não se trata de música gastronômica, de fácil digestão, como definiu Umberto Eco. Tom, que já teorizou sobre o pagode e o funk carioca, tidos como sinônimos de certa decadência de nossa música, discorda de minha observação em defesa da liberdade de manifestação cultural: "Barnabé, há tempos, é um orgulho de São Paulo, mas quando uma coisa acontece aqui e agora é muito perigoso a gente querer julgar. O povo tem de ter toda liberdade do mundo pra fazer o que pensa e o que gosta, qualquer coisa que ele queira ou que ele possa. Augusto de Campos, desde a hora em que Caetano, em 1965, defende na Revista Civilização Brasileira a retomada da linha evolutiva da música popular brasileira, a partir de João Gilberto, Augusto e os concretos, disseram: 'É esse o homem da gente! Este rapaz tá dizendo alguma coisa'. Você vê como esses concretos eram espertos e ativos! Augusto, por exemplo, já valorizava e defendia até mesmo Roberto Carlos, que era o grande vilão da época, não é? O João Gilberto fala que, em 1969 ou 1970, quando tinha os famosos shows do teatro Paramount (Bossa no Paramount), que eram celebrados como 'a verdadeira música popular brasileira', ele estava na porta, um dia na saída, e foi ver, como quem não quer nada. As pessoas nem se lembravam dele, fazia quase dez anos que ele não aparecia na televisão, ele entrou por um canto e alguém perguntou se ele havia gostado e ele disse: 'Olha eu prefiro iê-iê-iê do que jazz retardado', e é verdade. Quando Roberto fez seus primeiros discos de iê-iê-iê, aquele álbum da estrada de Santos (Roberto Carlos em ritmo de aventura), eram coisas que você, quando ouvia, inevitavelmente, se arrepiava. 'Quero que tudo mais vá pro inferno' é tão bom, que Roberto Carlos agora proibiu. Não deixa tocar, não canta e não deixa ninguém cantar!"

No episódio do show da Virada Cultural 2009, em São Paulo, outro inusitado fato foi destaque e diz muito sobre Tom Zé e sua inquietação em questionar papéis, estatutos e protocolos. Dezenas de fotógrafos espreitavam-se, à beira do palco, quando Tom decide interromper para propor uma divertida inversão e convida todos os fotógrafos a subirem no palco e, da primeira fila, toma uma das câmeras emprestada e põe-se a fotografá-los. A despeito do descuido que teve com ele, em meados dos anos 1970 e ao longo de toda a década de 1980, Tom tem uma relação de generosidade e colaboração com a imprensa, que passou a demonstrar tamanho interesse por ele e sua obra, nunca antes visto, que até sugere um certo sentimento de culpa e necessidade de justiça. Coisa rara neste mundo de celebridades instantâneas inatingíveis, devemos destacar que Tom também dá total abertura aos fãs, que travam contato quase diário com ele, pelo blog tomze.blog.uol.com.br. Ele começa a se preocupar com o horário, pois está envolvido na pós-produção do novo álbum e, atrasado para alguns compromissos vespertinos, precisa que o deixemos cumprir sua agenda. Minutos antes, nossa fotógrafa, Luiza Sigulem, sugere um flagrante, apenas de cueca, sentado, de pernas cruzadas, em um banquinho, empunhando seu violão; uma alusão a uma célebre foto de Brigitte Bardot. Ele concorda de imediato. Quando encerramos, Gregório, um dos amigos que filmou a entrevista pede a Tom uma foto conosco. Ele consente, mas quando estacionamos a seu lado, faz um breve suspense e emenda, sorrateiro: "Aliás, pode tirar foto comigo, sim, mas só se for de cueca, também!". Sim, meus amigos, é assim, de calças arriadas, cantando Brigitte Bardot e com a sensação de roteiro desprezado e tarefa cumprida, que nos despedimos de Tom Zé, nesta manhã gélida de quarta-feira, onde o homem que escreveu Imprensa cantada, ousou querer deixar a pobre imprensa quase nua.


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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Provocações - Arnaldo Antunes.


Pessoa,l estava eu procurando alguma coisa de útil na internet para postar neste blog e me deparei com Arnaldo Antunes no programa Provocações do Antônio Abujamra. Antunes, esse poeta concretista de mão cheia, bebeu nas fontes mais férteis como João Cabral de Melo Neto, que transforma pedra em poesia. Pois bem. Espero que gostem e curtam um pouco essa voz suave e agressiva do Arnaldo.







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sábado, 12 de setembro de 2009

Ausculta Torácica - Muito bom!


Pessoal reinando na internet achei esse site da Unifesp muito bom, onde há um simulador da ausculta cardíaca e pulmonar fisioloógico e patológico. Creio que isso ajudará e muito, principalmente para quem está pagando semiologia médica e se confunde com os vários sons. Aproveitem. Clique aqui ou na imagem.

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sábado, 29 de agosto de 2009

Olá. Voltei. Tchau!


Pessoal como todos devem ter percebido passei um 'tempinho' sem postar. Pois bem. Voltei. Estava com alguns impecilhos, entre eles o curso Médico. Tentarei atualizar este blog pelo menos uma vez por semana, mesmo que seja mais de um post por vez. Mas tentarei. Já coloquei alguns livros muito importantes abaixo, que, penso eu, nos ajudará ,e muito, na nossa Prática Médica de cada dia. Agora mudando de assunto....Prosseguimos.
Ponho abaixo um Vídeo do clip do Mv Bill, que no meu humilde conceito musical, é um ótimo compositor, com letras de protesto, diretas. Daquelas que as vezes dói mais que 'mãozada na cara'. A música que ele está cantando é "Só Deus pode me ajudar", em que trata da hipocrisia nacional, minha, sua e de qualquer um. Temas como Preconceito, Fome, Memória política, Corrupção, enfim. Clique aqui e veja a letra. Abaixo curta o vídeo.
Abraços.


Ah!Duas notícias interessantes. Talvez teremos um novo colega de Profissão - Gil Rugai - lembram delr? Matou só o Pai e a Madastra. Onde vamos chegas? Veja mais.
Aproveite e veja essa notícia e se surpreenda também. Trata-se de plantão ilegal.
Prosseguimos.

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Download - PTHLS - Atendimento no Trauma.


Para aquelesque gostam, e os que não gostam, de Atendimento de Urgência estudem o PTHLS, pois é indispensável para um bom médico. Afinal de contas essa é uma das poucas profissões que não se aposenta ou tira folga. Médico é sempre médico e pronto. Deve salvar, senão pelo menos confortar. Pois bem. Aproveitem e bom final de semana. Para aqueles que estão fazendo o XXIV curso de Emergências Clínicas na casa da Palavra também aproveitem.
Resenha: - Traumatismo Craniano - Tudo sobre a fisiopatologia da lesão cerebral secundária, tratamento das lesões traumáticas, incluindo informações sobre transportes prolongados.
- Choque - Cobertura completa do choque, diretrizes para o uso da Calça Pneumática Antichoque (PASG) e reanimação com líquidos. E ainda novas seções com as complicações do choque e decisões durante a reanimação. - Avaliação e Tratamento - Informações sobre tratamento da dor, hemorragia e avaliação do nível de consciência e sinais de abuso doméstico. Os algoritmos ou fluxogramas ajudam na avaliação e no tratamento do paciente.
- Tratamento das Vias Aéreas e Ventilação - Novo capítulo com informações sobre intubação face a face, intubação farmacologicamente assistida e em seqüência rápida e avaliação de oximetria de pulso e capnografia. Um algoritmo auxilia a escolha de tratamentos adicionais.
- Trauma no Idoso - Capítulo sobre efeitos sistêmicos do envelhecimento, mecanismos comuns de lesão no idoso e considerações especiais sobre tratamento através da abordagem ABCDE.
- Medcdina Militar - Tchau.

PHTLS - Capa e Introdução
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PHTLS - Capítulo 01 Prevenção de Trauma
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PHTLS - Capítulo 02 Biomecânica do Trauma
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PHTLS - Capítulo 03 Avaliação e Atendimento
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PHTLS - Capítulo 04 Controle das Vias Aéreas e Ventilação
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PHTLS - Capítulo 05 Trauma Torácico
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PHTLS - Capítulo 06 Choque e Reposição Volêmica
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PHTLS - Capítulo 07 Trauma Abdominal
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PHTLS - Capítulo 08 Trauma Cranioencefálico
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PHTLS - Capítulo 09 Trauma Raquimedular
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PHTLS - Capítulo 10 Trauma Músculo Esquelético
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PHTLS - Capítulo 11 Trauma Térmico; Lesões
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PHTLS - Capítulo 12 Considerações Especiais no Trauma da Criança
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PHTLS - Capítulo 13 Considerações Especias do Trauma no Idoso
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PHTLS - Capítulo 14 Triagem, Transporte e Sistemas de Trauma
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PHTLS - Capítulo 15 Princípios de Ouro do APH
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PHTLS - Capítulo 16 Medicina Militar
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Download - Semiologia Médica -Porto!Tá ai.


Indiscutivelmente, um dos melhores livros de Semiologia médica disponível no mercado.
Para ser um bom Médico, enfermeiro, fisioterapeuta ou qualquer outro profissional da saúde o estudo neste livro se tornar imprescindível!Eu pelo menos estudei.
Segundo o autor, Prof. Celmo Celeno Porto: Ao chegar à 5.ª edição, com várias reimpressões, a comprovar a aceitação deste livro pelos professores e estudantes, passei os olhos nas edições anteriores e reli os prefácios, após o que considerei pertinente fazer as seguintes considerações: 1.ª O espírito do livro : colocar o exame clínico como base de uma boa prática médica vem se mantendo na íntegra, mas modernizado a cada nova edição para acompanhar os progressos técnicos ocorridos nos últimos 15 anos. 2.ª O grande desafio no ensino/aprendizagem da medicina continua sendo conciliar o método clínico e a tecnologia médica. Aliás, a busca do elo de ligação entre a arte (médica) e a ciência (médica) constitui o movimento de vanguarda neste início de século, já que os exames complementares deixaram de ser novidade e vão se incorporando naturalmente na rotina da prática médica. 3.ª A afirmativa contida na primeira frase do prefácio da 1.ª edição continua atual: todo médico precisa ter uma visão de conjunto da medicina, seja para ser Especialista ou Clínico Geral. A partir desta premissa pode-se definir competência no exercício da profissão médica como a capacidade de formular hipóteses diagnósticas consistentes, associada à interpretação correta dos exames complementares, ao mesmo tempo que se estabelece uma boa relação médico-paciente, que culminam na tomada de decisões adequadas para cada paciente, visto como um todo e na sua condição de pessoa humana. Quero ressaltar que a Semiologia Médica faz parte de uma trilogia que teve início com o Exame Clínico, manual em que procurei apresentar de maneira clara e simples o essencial do médico clínico, e se completou com o Vademecum de Clínica Médica, recentemente publicado, no qual as doenças são abordadas de maneira sucinta para facilitar o trabalho do médico que está na linha de frente da assistência prestada à população brasileira.

Os arquivos são independentes ( não necessita juntar as partes!)

Conteúdo

PARTE 1: Semiologia Geral
PARTE 2: Semiologia da Adolescência/Semiologia do Idoso
PARTE 3: Anomalias Genéticas
PARTE 4: Olhos

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PARTE 5: Ouvidos, Nariz, Seios Paranasais, Faringe e Laringe
PARTE 6: Sistema Respiratório
PARTE 7: Sistema Cardiovascular

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PARTE 8: Sistema Digestivo
PARTE 9: Sistema Endócrino e Metabolismo

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PARTE 10: Sistema Urinário e Órgãos Genitais
PARTE 12: Sistema Imunológico
PARTE 13: Sistema Locomotor

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PARTE 14: Sistema Nervoso
PARTE 15: Exame Psiquiátrico

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Download - Cecil - Medicina Interna em Português!



O livro-texto de Medicina do Cecil tem sido uma das referências médicas mais confiáveis em todo o mundo desde a sua publicação original em 1927. Na 22a edição deste texto clássico, mais de 450 autoridades renomadas apresentam o conhecimento clínico mais moderno ampliado por um projeto soberbo completo, em quatro cores, e um sistema navegacional interno. Aqui você continuará a encontrar uma cobertura completa dos fundamentos científicos e das bases biológicas dos processos patológicos; uma introdução aos protocolos de prática clínica; os atuais conceitos de fisiopatologia, diagnóstico e tratamento todos apresentados por distintos especialistas em um formato mais amigável ao usuário, graficamente atraente, em 4 cores. O núcleo do texto continua a abranger as patologias dos principais sistemas orgânicos, incluindo a abordagem ao paciente, as manifestações clínicas, os procedimentos diagnósticos e as estratégias de tratamento.
Uma nova seção sobre farmacologia clínica fornece bases teóricas sólidas para a farmacoterapia essencial à prática médica.
Novos resumos da Medicina Baseada em Evidências nas seções sobre terapias fornecem evidências Grau A (estudos randomizados controlados), incluindo fontes de referência, para as principais recomendações terapêuticas atuais e recomendações sobre o tratamento.
A seção sobre Oncologia foi expandida, fornecendo uma cobertura abrangente de todos os tipos-chave de cânceres, inclusive uma cobertura completamente nova sobre alguns tipos de cânceres (ex., câncer testicular).
Novo design em 4 cores permite o acréscimo de centenas de novas fotos coloridas, assim como a integração de antigas fotos no texto em pontos apropriados (em vez de como anexos de fotos coloridas, longe demais dos capítulos correspondentes).
Um sistema navegacional interno exclusivo, incluindo algoritmos diagnósticos e de síndrome clínica e quadros de resumo de tratamento projetados para uma recuperação das informações excelente e em momentos adequados.
Uma cobertura abrangente da patogênese (inclusive da genética molecular), diagnóstico & terapia para explicar o porquê por trás do como.
Diagramas de fluxo facilitando a melhor abordagem ao diagnóstico e tratamento das queixas e doenças mais comuns.



INDICE:

PARTE I - ASSUNTOS ÉTICOS E SOCIAIS DA MEDICINA
PARTE II - PRINCÍPIOS DA AVALIAÇÃO E DO MANEJO DOS PACIENTES
PARTE III - MEDICINA PREVENTIVA E AMBIENTAL
PARTE IV - ENVELHECIMENTO E MEDICINA GERIÁTRICA
PARTE V - FARMACOLOGIA CLÍNICA
PARTE VI - GENÉTICA
PARTE VII - PRINCÍPIOS DA IMUNOLOGIA E INFLAMAÇÃO
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PARTE VIII - DOENÇA CARDIOVASCULAR
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PARTE IX - DOENÇAS RESPIRATÓRIAS
PARTE X - MEDICINA INTENSIVA
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PARTE XI - DOENÇAS RENAIS E GENITOURINÁRIAS
PARTE XII - DOENÇAS GASTROINTESTINAIS
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PARTE XIII - DOENÇAS DO FÍGADO, VESÍCULA BILIAR E DUCTOS BILIARES
PARTE XIV - DOENÇAS HEMATOLÓGICAS
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PARTE XV - ONCOLOGIA
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PARTE XVI - DOENÇAS METABÓLICAS
PARTE XVII - DOENÇAS NUTRICIONAIS
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PARTE XVIII - DOENÇAS ENDÓCRINAS
PARTE XIX - SAÚDE DA MULHER
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PARTE XX - DOENÇAS DO OSSO E DO METABOLISMO MINERAL
PARTE XXI - DOENÇAS ALÉRGICAS E IMUNOLOGIA CLÍNICA
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PARTE XXII - DOENÇAS REUMÁTICAS
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PARTE XXIII - DOENÇAS INFECCIOSAS (Big ARQUIVO! Necessita juntar as 3 partes)
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parte2 - Download2 (easyshared)
parte3 - Download3 (easyshared)

PARTE XXIV - HIV E A SÍNDROME DA IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA
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PARTE XXV - NEUROLOGIA
PARTE XXVI - DOENÇAS DO OLHO, OUVIDO, NARIZ E GARGANTA
PARTE XXVII - DOENÇAS DE PELE
PARTE XXVIII - INTERVALOS DE REFERÊNCIA E VALORES LABORATORIAIS
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domingo, 12 de julho de 2009

A Depressão dos Jovens Médicos


A cobrança nos estudos e o choque com a dura rotina no hospital levam até 80% dos estudantes de medicina a apresentar sintomas da doença!


Por Renata Cabral - Isto É Independente



O jovem que faz vestibular para medicina sabe que enfrentará muitos anos de estudo. Primeiro, os seis da faculdade; depois de formado, pelo menos mais dois de residência para se tornar especialista. Nesse início do curso, a emoção que prevalece é o orgulho de ter passado na seleção para algumas das vagas mais disputadas do País. Mas o que estudos recentes começam a mostrar é que boa parte dos futuros médicos corre o sério risco de ter depressão e até mesmo de pensar em largar o curso antes de pegar o diploma. Um desses trabalhos, realizado na Universidade de Uberlândia, em Minas Gerais, descobriu que 79% dos 400 alunos do curso de medicina apresentavam sintomas depressivos. Cerca de 20% deles tinham um quadro considerado grave.

A tendência à doença está sendo identificada em mais universidades. Na Faculdade de Medicina do ABC, na cidade paulista de Santo André, pesquisa coordenada pelo Serviço de Orientação Psicológica ao Aluno revelou que 38% dos acadêmicos exibiam queixas características desse tipo de distúrbio psiquiátrico, como tristeza, falta de concentração, desânimo e um profundo cansaço. A pesquisa, divulgada no portal internacional de publicações médicas Biomed Central, serviu para evidenciar ainda mais a necessidade de entender o que leva os jovens médicos a cair em depressão e o que as escolas precisam fazer para ajudá-los a se recuperar.

No estudo de Santo André, por exemplo, viu-se que o maior número de casos estava concentrado nos dois últimos anos de faculdade, período conhecido como internato, em que os alunos vivenciam na prática o que aprenderam na teoria. Foi exatamente nessa fase que o estudante Álvaro Faria, 26 anos, sofreu com a doença. “Eu me sentia muito mal. Achei que medicina não era para mim, que não suportaria mais aquele sofrimento”, lembra. Em rodas de amigos, não tinha assunto que não fossem os problemas do hospital. Seu limite de saturação foi a morte de um paciente diabético que precisava fazer uma cirurgia de urgência. O doente morreu antes que a equipe médica conseguisse estabilizar seus níveis de glicose – medida que precisava ser tomada antes da operação. Por muito pouco poderia ter sido salvo. “Não consegui tirar a cena da mente naquela semana. Entrava no hospital me questionando se seria capaz de salvar alguém naquele dia”, lembra. Diagnosticado por um serviço de apoio criado na escola, ele foi tratado com antidepressivos e psicoterapia por cerca de um ano.

Além do choque com a dura realidade do sistema de saúde brasileiro – repleto de deficiências e limitações que vão da falta de leitos à ausência de materiais básicos para o trabalho –, esses jovens ainda enfrentam as exigências do curso. Para Heloísa Calazans(foto), 22 anos, aluna do quinto período de medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a pressão pelo bom desempenho acadêmico incomoda mais do que o cotidiano do hospital. E foi o que a levou a procurar ajuda médica. “É um ambiente muito competitivo. Cheguei a faltar às aulas e a deixar de es tudar matérias que sempre gostei por conta do stress com as notas”, diz. Os anos de estudo intenso também fizeram com que momentos de lazer e de convivência familiar de Heloísa se tornassem mais raros. A cura veio por meio de antidepressivos, usados por três meses. “Estou recuperada”, diz.

Na opinião do psiquiatra Sérgio Baldassin, professor da Faculdade do ABC e coordenador da pesquisa sobre a depressão entre os estudantes, a expectativa que recai sobre os novos médicos agrava seu mal-estar. “Espera-se hoje que o médico seja um workhaholic, que conheça todos os artigos científicos recentes, tenha disponibilidade 24 horas por dia e que, se possível, não cobre muito caro”, afirma. “É uma situação de stress extremo vivenciada todos os dias.” Características comuns de personalidade de quem escolhe a profissão de médico também pesam no desencadeamento da doença. “São pessoas exigentes, que passaram por um processo de seleção rigoroso e têm de responder a expectativas próprias e sociais”, afirma Carlos Henrique Alves de Rezende, orientador do curso de Uberlândia.

Em um contexto rígido como esse, é mais difícil para os estudantes admitir que têm alguma dificuldade e procurar ajuda. “Pelo menos uma vez por dia recebo um aluno com sintomas depressivos. Muitos têm medo de ser alvo de preconceito”, conta Regina Granato, coordenadora do curso de medicina da Universidade Federal Fluminense. É um temor justificável. Até hoje, a depressão ainda é vista, muitas vezes, como sinônimo de fraqueza emocional – embora esteja mais do que provado que se trata de uma doença. Em um ambiente competitivo como o da medicina, o equívoco de julgamento pode se tornar um grande problema na vida do profissional. Por isso, é importante que o jovem médico esteja atento a esse aspecto e não caia na armadilha de negligenciar os próprios sintomas.

Oferecer opções de tratamento a esses jovens é essencial. “As faculdades devem prestar apoio psicológico aos profissionais da saúde. Cerca de 80% das que estão sediadas no Sul e no Sudeste já fazem isso”, diz o psiquiatra Baldassin. Além disso, o atendimento precisa ser individualizado. “O que funciona para um caso não se aplicará necessariamente a outro”, explica.

No trabalho feito com os profissionais, um dos objetivos é ajudá-los a enfrentar frustrações como a morte de um doente. “Escolher a medicina é ter poder sobre a morte e a vida, é querer ser onipotente”, afirma Rezende. Mas não é fácil para os jovens ver essa ideia desmistificada. “Também é preciso criar mecanismos para não sofrer junto com o doente”, diz a médica Regina Granato, do Rio de Janeiro. “Continuamos nos compadecendo, mas é necessário criar uma defesa para não absorver a tristeza.” O jovem Álvaro Faria parece ter entendido a lição. “Por melhor que você seja, não conseguirá salvar todos. Mas hoje, depois do que passei, no fim do dia tenho a convicção de que fui bem-sucedido quando dei o meu melhor”.


FONTE: Site Isto É independente

FOTOS: RADIUS IMAGE/LATINSTOCK; DANIELA DACORSO, JULIA MORAES – AG. ISTOÉ

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quinta-feira, 9 de julho de 2009

Contos da Meia Noite - O Plebiscito - Arthur Azevedo


Passeando entre blogs, encontrei num lá de Juazeiro do Norte-CE, minha terra querida, um conto de Arthur Azevedo, dramaturgo pictoresco do século XIX. Nordestino de São Luís -MA que por alguns motivos foi morar no Rio de Janeiro trabalhando em Vários Jonais. Fundou revistas e era um dos defensores do Teatro Nacional. Pois bem abaixo encontra-se um vídeo do seu conto O Plebiscito interpretado por Antônio Abujamra num programa da TV Cultura. Muito bom. Vale a pena ver e conhecer um pouco mais da Obra desse dramaturgo.


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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Cadernos de Atenção Básica - muito bom!!!


Pessoal ponho agora uma das postagens mais importantes desse blog - são os cadernos de Atenção Básica do Governo Federal. São trabalhos produzidos por especialista na área e que atendem, teoricamente, a demanda dos Médicos e Estudantes que vivem, ainda que no sacrifício, nos PSF espalhados pelo Brasil. É uma pena que um Programa tão importante como este seja tratado à revelia por Governos obscuros e safados. Mas ai vai. Baixem, estudem e reflitam sobre o nosso Sistema Único de Saúde.
Cadernos de Atenção Básica - n. 2: treinamento introdutório, 2000.
Cadernos de Atenção Básica - n. 3: educação permanente, 2000.
Cadernos de Atenção Básica - n. 8: violência intrafamiliar: orientações para a prática em serviço, 2002
Cadernos de Atenção Básica - n. 12: obesidade, 2006
Cadernos de Atenção Básica - n. 13: controle dos cânceres do colo do útero e da mama, 2006
Cadernos de Atenção Básica -n. 14: prevenção clínica de doença cardiovascular, cerebrovascular e renal crônica, 2006
Cadernos de Atenção Básica - n. 15: hipertensão arterial sistêmica, 2006.
Cadernos de Atenção Básica - n. 16: diabetes mellitus, 2006
Cadernos de Atenção Básica - n. 17: saúde bucal, 2006
Cadernos de Atenção Básica - n. 18: HIV/Aids, hepatites e outras DST, 2006
Cadernos de Atenção Básica - n. 19: envelhecimento e saúde da pessoa idosa, 2006
Cadernos de Atenção Básica - n. 20: carências de micronutrientes, 2007.
Cadernos de Atenção Básica - n. 21: vigilância em saúde, 2007.
Cadernos de Atenção Básica - n. 9: Dermatologia na atenção básica Parte I Parte II

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quarta-feira, 1 de julho de 2009

Anatomia Orientada para a Clínica Moore


O livro de Anatomia mais popular das últimas 3 décadas oferece aos estudantes todo o conhecimento necessário para o domínio completo da anatomia. A orientação e a ênfase clínicas presentes neste livro o tornam uma ferramenta essencial para estudantes de medicina, odontologia, fisioterapia e Enfermagem, sendo ainda referência indispensável para internos e residentes à medida que eles avançam em suas práticas clínicas. Também estão incluídos aspectos funcionais da anatomia, de forma a apresentá-la no contexto da vida real. Características e Partes Especiais: Fotografias de anatomia de superfície totalmente em cores e imagens diagnósticas de várias modalidades oferecem clareza sem precedentes e ampla visão da anatomia de superfície e dos princípios básicos da imagem diagnóstica moderna
"Boxes Clínicos Azuis" fornecem as relevâncias clínicas como em nenhum outro livro de anatomia existente no mercado e são enriquecidos por fotografias, quadros e ilustrações.Em espanhol em sua 4° edição.Ah! Está em PDF!
Download por Capítulos:
Capítulo 1 - Índice e Introdução - Clique Aqui!

Capítulo 2 - Abdôme - Clique Aqui!
Capítulo 3 -Pelve e Períneo

Capítulo 4 - Tronco - Clique Aqui!

Capítulo 5 - Membros Inferiores - Clique Aqui!

Capítulo 6 - Membros Superiores - Clique Aqui!



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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Chico Buarque - 65 anos de um Gênio


Pessoal, hoje é aniversário de um dos maiores compositores do Brasil - o maior para mim. Chico Buarque de Holanda completa 65 anos - tá veinho o peste. Apesar de tudo isso, continua produzindo, como o último livro, Leite Derramado, lançado nesse ano. Pois bem, abaixo posto três vídeos que correspondem a algumas das fazes 'Buarquianas' que marcaram a história da música e, portanto, da nossa própria história. Ah! a foto acima é de Chico e Bob Marley, na sua única visita ao Brasil.



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Patativa do Assaré - 100 anos de poesia


Patativa do Assaré, maior Poeta Popular do Brasil, nasceu na cidade de Assaré - no meu Ceará - em plena Chapada do Araripe. Foi no ano de 1909 que esse vercejador apareceu. Aos poucos, com sua vivência sertaneja, vendo e sofrendo na pele as mazelas sociais, resolveu cantar a liberdade, cantar contra a injustiça social, cantar a vida do agricultor que sustenta sua família com um saco de feijão e uns pingos dágua do céu. Pativa faleceu em 2002 no mês de Julho, mas sua poesia ficou encravada na eternidade. Não se perdeu no tempo e na idade, nem nas letras marcadas de um velho papel.
Veja o vídeo abaixo em homenagem aos 100 anos de Patativa do Assaré.


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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Vídeos Sobre Prática da Clínica Médica - Muito Bom!


Pessoal dando continuidade aos vídeos sobre procedimentos médicos, lá vai mais alguns. lembrando que são todos muito bons e auto-explicativos.
Grande abraço. Repassem, visitem e estudem...

1) Paracentese - cLiQuE aQuI!

2) Cateterismo de Uretra masculina - cLiQUe aQuI!

3) Entubação Nasogástrica - clique AqUi!

4) Inserção de Cateter no Tórax - ClIQuE aQuI!

5) Cateterismo Venoso Central - clique Aqui!

6) Incisão e Drenagem de Abscesso - CliQue Aqui!

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sábado, 30 de maio de 2009

"Dói internar um filho. Ás vezes não há outro jeito" - Entrevista com o Poeta Ferreira Gullar, pai de dois esquizofrênicos.



Quando o escritor Ferreira Gullar publicou em 1999 o poema “Internação” (leia abaixo), já era um veterano na convivência com doentes mentais. Quem fez a observação sobre o vento foi Paulo, seu filho mais velho, que hoje tem 50 anos. Ele sofre de esquizofrenia, doença caracterizada, entre outras coisas, por dificuldade em distinguir o real do imaginado. Desde os anos 70, Gullar tenta administrar a moléstia. Fazia o mesmo com Marcos, o filho dois anos mais jovem, que também tinha esquizofrenia e morreu de cirrose hepática em 1992. Remédios modernos permitem que pessoas como Paulo passem longos períodos em estado praticamente normal. Sem alucinações, sem agitação, sem agressividade. Mas o tratamento só funciona se o doente tomar os medicamentos antipsicóticos todos os dias e na dose certa. Isso nem sempre acontece. O resultado são os surtos, quando o paciente se torna quase incontrolável.Pode cometer suicídio ou agredir quem está por perto. Nesses momentos, esses doentes costumam precisar de internação. “Dói ter de internar um filho”, diz Gullar, hoje com 78 anos. “Às vezes, não há outro jeito.”

Leia na entreveista abaixo concedida a Revista Época a angústia de um pai ao internar seu filho esquizofrênico, e suas opniões sobre a estrutura do atendimento psquiátrico no Brasil. Assista também um vídeo com trechos da entrevista com o Maior Poeta vivo da Língua portuguesa.

ÉPOCA - A lei federal 10.216, aprovada em 2001, não proíbe a internação de pacientes em hospitais psiquiátricos, mas estimulou a redução de leitos. Por que decidiu falar sobre essa lei agora?
Ferreira Gullar -
Antes da aprovação da lei, soube do que consistia o primeiro projeto. Para internar uma pessoa, a família precisaria pedir autorização de um juiz. Felizmente isso foi retirado do texto final. Imagine o que é ter em casa um garoto em estado delirante - às vezes falando sem parar da noite até o dia seguinte. Os pais tentam dar remédio, tentam conversar e nada funciona. Nessa situação, o único recurso é internar. Você sente que a pessoa está saindo do controle e pode fazer uma loucura qualquer. Imagine ter de aguardar autorização de um juiz para internar um paciente numa situação de emergência. Que juiz? Aquele que nunca encontramos na justiça eficiente que temos? Imagine o desastre que isso seria.

ÉPOCA - Mas por que decidiu escrever neste momento?
Gullar -
Li notícias recentes sobre o aumento de doentes mentais na população de rua. Eu já previa que isso ia acontecer diante da restrição do número de hospitais e do período de internação. Como é possível estabelecer um período de internação, determinar que um paciente psiquiátrico esteja curado dentro de determinado tempo? Quem não tem dinheiro para colocar o filho numa clínica particular fica com ele em casa até quando suportar. Muitas vezes o doente foge. Quantas vezes isso aconteceu comigo... Ele foge, vai para rua sem rumo. Ninguém sabe para onde vai.

ÉPOCA - O doente precisa ficar vigiado dentro de casa?
Gullar -
Ninguém aguenta uma pessoa em estado de delírio dentro de casa. Só se ninguém trabalhar, todo mundo ficar em volta do doente. E se for uma pessoa agressiva? Tem que internar. Nenhum pai e nenhuma mãe internam seus filhos contentes da vida, achando que se livraram. Não estou dizendo que a lei foi feita para perseguir as pessoas. Não vou imaginar uma coisa dessas. Ela foi feita com boa intenção. Mas de boa intenção o inferno está cheio.

ÉPOCA - O senhor acha que a internação em hospitais psiquiátricos é o melhor tratamento?
Gullar -
Ninguém é a favor de manicômio ou de encerrar uma pessoa pelo resto da vida. Isso não existe há muito tempo. Mas hoje as famílias sem recursos não têm onde pôr seus filhos. Eles vão para a rua. São mendigos loucos, mendigos delirantes. Podem agredir alguém. É imprevisível o que pode acontecer. O Ministério da Saúde tem de olhar isso. O hospital-dia é uma boa coisa. Mas para o doente ir para o hospital-dia ele tem que querer ir. Quando entra em surto, é evidente que não vai querer ir para o hospital-dia. Dizer que os doentes serão encarcerados é terrorismo.

ÉPOCA - Qual a sua opinião sobre a visão do movimento de luta antimanicomial?
Gullar -
Esse pessoal não diz explicitamente, mas eu sei que para eles não existe doença mental. Por que falam em psiquiatria democrática? Existe urologia democrática? A psiquiatria democrática pressupõe que as pessoas internam seus parentes para cercear a liberdade deles. Segundo essa linha, o cara não é doido. Ele é um dissidente. Isso vem da época das drogas, da época dos Beatles, da época em que as pessoas diziam “tu tá pinel”. O que era isso? A classe média cheirava cocaína e ia parar no Pinel. Não eram doidos. Mas, levada a uma overdose, a pessoa pode entrar num estado de delírio. Esse pessoal acha que a máfia de branco cerceia a liberdade das pessoas. Pessoas que são dissidentes da sociedade burguesa. A psiquiatria democrática considera que a sociedade é que é doente e reprime aqueles que discordam dela.

ÉPOCA - Por que o sr. diz que isso é um marxismo equivocado?
Gullar -
A raiz ideológica da psiquiatria democrática é a ideia de que não existe doença. A sociedade é que é culpada porque é burguesa. Quando eu estava exilado em Buenos Aires, nos anos 70, fui conversar com os médicos no hospital onde meu filho Paulo (hoje com 50 anos) havia sido internado depois de um surto. Uma médica veio conversar comigo e disse que o problema não era do meu filho. Era da família e da sociedade. Disse para ela: então me interna.

ÉPOCA - Paulo estava com você no exílio?
Gullar
- Nessa época, sim. Um dia ele teve um surto e sumiu. Foi encontrado em estado totalmente delirante e foi internado. A médica chamou a mim e a minha mulher para conversar. Eu disse: coração adoece, rim adoece sem que a sociedade seja culpada de nada. O cérebro é o único órgão que não adoece por si? A sra. não acha que uma pessoa pode nascer com uma deficiência fisiológica no cérebro? O que está por trás de tudo isso é uma visão equivocada.

ÉPOCA - Quando seus filhos receberam o diagnóstico de esquizofrenia?
Gullar -
Os dois começaram a falar disparates e a se comportar de maneira anormal. Isso se manifestou quando tinham 15 ou 16 anos. A doença foi precipitada pela droga. Era um período que cheirar cocaína, fumar maconha e consumir LSD estavam na moda. Surgiram anormalidades, mas eu não fiz nada. Atribuía o comportamento deles às drogas.

ÉPOCA - Eles falavam sem parar?
Gullar -
No começo, diziam: “Meu cérebro está vazio, não tenho mais cérebro, o LSD consumiu meu cérebro”. Coisas ilógicas. Percebi que havia algo errado, mas esperava que as coisas se acomodassem. Eu dava conselhos para que eles parassem de usar drogas. Quando fui de Lima para Buenos Aires (havia a perspectiva de um trabalho lá), um dia Paulo desapareceu. Desceu para a rua e sumiu. Terminou sendo localizado, estava preso. Ele, que nunca havia dirigido antes, pegou um carro que estava parado. Tentou roubar o carro sem saber dirigir. Coisa de pirado mesmo. Só consegui localizá-lo um mês depois. Voltou para casa em estado totalmente delirante. Quebrou a janela toda. Queria sair pela janela do quinto andar. Fui obrigado a chamar o socorro psiquiátrico. Ele começou a tomar os remédios. Um dia fugiu do hospital. Veio aparecer no Brasil dois meses depois.
ÉPOCA - Foi nessa ocasião que o sr. pediu ajuda ao Vladimir Herzog (jornalista morto pela ditadura em 1975)?
Gullar -
Um dia ele fugiu do Rio e foi aparecer em Taboão da Serra, em São Paulo. Um homem o encontrou sentado na lama e na chuva. Levou-o para casa e deu-lhe banho. Paulo deu o meu endereço em Buenos Aires e o homem me escreveu. Quando recebi a carta, liguei para a Revista Visão, onde o Herzog trabalhava, e pedi ajuda. Ele se prontificou a ir imediatamente buscá-lo em Taboão. Quando chegou, Paulo já havia fugido. Foi encontrado por uma freiras, caído na estrada, e foi levado para um convento. Depois a família o encontrou e ele foi internado em uma clínica particular no Rio. Quando voltei do exílio, em 1977, assumi esse problema todo. Descobri que existia o Instituto Bairral, em Itapira, no interior de São Paulo. Parecia uma fazenda, uma estação de repouso. Ele ficou alguns meses nessa clínica particular. Isso não é a família que decide. São os médicos. Quando voltou ao Rio, veio morar com a família. Mudei de Ipanema para Copacabana porque descobri que havia um fornecedor de drogas para ele em Ipanema. Não demorou muito e a mesma coisa começou a acontecer em Copacabana.

ÉPOCA - O sr. conseguia escrever com eles em casa?
Gullar -
Uma pessoa esquizofrênica não está permanentemente em estado de surto. Às vezes fica sozinha no quarto. O problema é quando ocorre o surto. O Paulo passou muitos anos com a família. Passava seis meses internado e voltava para casa. Às vezes passava um ano sem ter nada. Mas não pôde trabalhar nem estudar. Não tinha condição, nem disposição, interesse.
ÉPOCA - Paulo aceita o tratamento facilmente?
Gullar -
Às vezes fingia que tomava o remédio, mas cuspia fora. Leva tempo até o doente aceitar o remédio, entender que ele ajuda. Paulo mora há cinco anos no sítio de um amigo meu em Pernambuco. Não está internado, mas é como se estivesse. Cuida dos cavalos, cria uns gatinhos, pinta quadros. Lá ele toma o remédio sozinho. Quando entra numa derrapada e deixa de tomar o remédio, começam os problemas. Mas hoje ele tem muito mais consciência da doença. Amadureceu. É uma pessoa mais afetuosa.

ÉPOCA - O sr. tem saudade?
Gullar -
Tenho. A gente se fala todo dia. Mas se ele vier para cá e começar a usar droga de novo, tudo vai recomeçar. Ele está controlado porque não tem droga onde vive. Com droga fica excitado, alucinado, agresssivo.

ÉPOCA - A condição de seus filhos influenciou sua literatura?
Gullar -
Tudo influencia na vida, mas eu procuro me colocar diante das coisas com lucidez. Nao me deixou levar por desesperos, por bobagens. Não sou nenhum Super-Homem, mas sempre procurei entender as coisas e encontrar o caminho mais correto. Claro que isso foi um grande sofrimento durante anos e anos. Pode ter se refletido na minha literatura. Mas a minha literatura não é de desespero. Recebo cartas de pessoas que disseram que se salvaram, que tiveram coragem de enfrentar seus problemas lendo meus poemas. Evito pregar o desespero. Muitas vezes estou desesperado, mas jamais transmito isso para as pessoas.

ÉPOCA - O que lhe desespera?
Gullar -
Estar com um filho numa situação dessa é estar num estado de desespero. Estar sendo perseguido pela ditadura também. Viver clandestino durante um ano, sem ver sua mulher, seus filhos, seus amigos, é desespero. Uma pessoa pode fazer desse desespero a matéria de sua literatura. Nunca fiz isso.
ÉPOCA - O poema Internação, publicado em 1999, é autobiográfico? Aquilo aconteceu entre você e Paulo?
Gullar -
É. Meu filho falou sobre o vento no rosto e eu fiz o poema. Aquilo é bonito, não é desespero. Nunca fiz do meu sofrimento individual a matéria da minha poesia. Nunca quis transferir para os outros o meu desespero, o meu amargor. Procuro não ter amargor e enfrentar as coisas. Sei que a vida é inventada. Ela depende de mim. Se eu invento uma vida infernal, ela será infernal. Nao vou ficar sentado à beira da calçada, chorando. Isso não resolve problema algum.

ÉPOCA - Alguma vez o Paulo foi agressivo?
Gullar -
Foi.

ÉPOCA - Contra o sr.?
Gullar -
Não quero falar sobre isso. Chegou a ser agressivo. Mas, passado o momento do surto, ele se arrependeu.

ÉPOCA - Ele tentou suicídio?
Gullar -
Tentou uma vez. Tem um problema de coluna porque se jogou de uma clínica, de um andar baixo. A pessoa precisa ser protegida. Não sabe o que está fazendo. Depois, rindo, me disse: “Pai, você não vai acreditar. Naquele exato momento, pensei que fosse voar”.
ÉPOCA - Depois dos artigos que escreveu, muita gente lhe procurou?
Gullar -
Recebi cartas, convites para participar de congressos. Não é a minha matéria. Falei como um cidadão que tem uma tribuna e pode dizer as coisas. Não tenho a intenção de criar um movimento. Uma mulher escreveu uma carta para a Folha pedindo uma providência contra mim. Que providência ela quer? A minha demissão? Ela é da psiquiatria democrática. Imagine se fosse da psiquiatria ditatorial.

E agora o vídeo:



Outra entrevista muito interessante sobre a Mãe de uma portadora de Transtorno Bipolar que queria "salvar o mundo" e acabou conseguindo, mas da sua forma e com sua verdade. Clique aqui e leia.

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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Comentário sobre a saúde pública no Brasil - Alexandre Garcia!

A saúde do Brasil está doente! Quem nunca ouviu esse jargão tão gasto pelo tempo, mas tão usado em discussões sobre o sistema único de saúde. Pois bem. Esse vídeo traz um breve comentário acerca da saúde Brasileira e, especificamente, dos profissionais, que sem uma estrutura (salários dignos, estrutura material, recursos humanos) não conseguem exercer sua função com o mínimo de eficiência possível. Assistam e reflitam!!!

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terça-feira, 12 de maio de 2009

Livro - Histologia Básica 10ed - Junqueira - pdf


Reconhecido mundialmente e já publicado em 14 idiomas, "Histologia Básica - Texto e Atlas" chega à sua décima edição, completamente revisto, e com as ilustrações em cores. Esta edição está atualizada com as pesquisas mais recentes no campo da biologia celular e molecular, porém se mantém em formato adequado e útil aos estudantes. Destaques desta 10ª edição:
- Mais exemplos de histologia aplicada, como o envolvimento das moléculas de fibrilina na Síndrome de Marfan e de distrofina na distrofia muscular;
- Ênfase em caderinas e integrinas, proteínas de aderência entre células e matriz extracelular;
- Novas abordagens sobre proteínas motoras, endocitose de colesterol, compartimento endossomal, apoptose e doenças por defeitos nas mitocôndrias e nos receptores celulares;
- Desenhos esquemáticos e fotomicrografias em cores tornam o livro mais didático e agradável;
- Novo lay out de página possibilita visualizar melhor as aplicações médicas;
- Pela primeira vez, oito capítulos foram escritos por três renomados especialistas.
E o melhor....está em portuga!!!!


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quarta-feira, 6 de maio de 2009

Parasitologia Humana 11º ed - David Pereira Neves


Um excelente livro para quem está estudando Parasitologia!Eu pelo menos estudei por ele! Está em formato pdf,dessa forma, caso precise recortar-colar alguma parte do texto é possível, além de figuras e tabelas... e o melhor...Em português.

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quarta-feira, 15 de abril de 2009

69, Praça da Luz - documentário


Pessoal esse é um documentário muito bom que mostra uma realidade pesada de Prostitutas com idade avançada e que ganham a vida na Praça da Luz, em São Paulo. Relatos inusitados e surpreendentes de cinco mulheres que revelam em detalhes suas experiências em todos esses anos de profissão. Assistam e conheça um pouco mais do nosso Brasil Real.

Clique Aqui para começar!!!

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Goodman - Farmacologia!!!


O Goodman é o melhor livro de farmacologia da atualidade - eu pelo menos o ultilizei - , aliás, já tem um bom tempo que este livro conquistou essa liderança. Nele, encontramos tudo sobre fármacos de forma detalhada e abrangente, sendo bastante atual quanto as informações citadas. Recomendo a todos que baixem esse livro, pois a farmacologia clínica nos acompanhará ad eternum. Espero que gostem e estudem pessoas...E o melhor está em Português!!!

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